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domingo, 21 de março de 2010

Suba o pano

[Sobe o pano]

Escorriam-lhe pelos traços...
[uma luz intensa sobre o rosto]
Conseguia sentir-lhes o frio
Quando tocavam os bordos esmorecidos dos beiços
Aquele leve salgado, aquele sabor gentio

Depois do estampido
(conseguiu!) A doce metamorfose
Lá, debaixo do olhar túmido
Em breves instantes sentiu

Do frio se fez quente,
Na diérese de um ditongo (AI!)
Do salgado ao ferrugíneo,
Do translúcido ao vermelho ardente

[BANG!]
Depois do estampido,
Um pequeno zumbido
[Escuridão]
Das trevas se fez luz,
Das feridas saiu pus

[Desce o pano]

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quero!

Mais um momento caderninho.

"Quero"

Quero escrever mas não tenho caneta
Quero ler mas não tenho livro
Quero comer mas não tenho fome
Quero beber mas não tenho água
Quero cantar mas não tenho voz
Quero ouvir mas não tenho música
Quero falar mas não tenho ouvinte
Quero actuar mas não tenho audiência
Quero amar mas não tenho quem
Quero dormir mas não tenho sono
Quero tudo e não tenho nada!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Caderninho

Estou a pensar reabilitar o meu caderninho, haja inspiração e paciência para voltar a escrever nele.

Bons momentos que passei no café, rodeada de amigos e escrever no caderninho, a maluquinha do caderninho, com tanto cuidado para que ficasse com uma letra apresentável.

Se bem que os meus melhores textos se perderam, algures numa mudança. Ainda pensei que estivessem em casa dos meus pais, mas numa das ultimas vezes que lá estive fartei-me de procurar e não encontrei nada.

Já Ralph Waldo Emerson dizia que a nossa maior glória não está em nunca cairmos, mas sim em nos levantarmos após cada queda!

E assim na esperança de reabilitar o caderninho aqui fica mais um "poema", que pretensiosismo, cuidadosamente passado a limpo há 7 anos, chama-se (simplesmente) "Amor".

É querendo amar-te sempre mais
que vivo cada dia da minha existência
É procurando dar-te, através dos outros,
que o meu eu se ergue para ti e cresce
É esperando que eu creio na vida
É sorrindo, quando em choro,
que consolo a minha alma
É ajudando, quem precisa,
que a vida me ajuda
É amando toda a gente que se é amado
E só assim se é feliz.