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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Um breve momento de...

...Inspiração...

Não o acto de inspirar que faz parte do processo de respiração e nos permite continuar vivos. Mas a outra... a inspiração "artística"...a inspiração da alma...

Aparentemente ninguém sabe explicar muito bem o que é a inspiração mas toda a gente a usa, de uma forma ou de outra. A inspiração faz parte de nós e varia de pessoa para pessoa. Podem haver pessoas mais "inspiradas" que outras, ou seja, que sabem aproveitar melhor os momentos de inspiração.

Sim, porque para mim a inspiração (como um todo) não existe, existem sim breves momentos de inspiração. E, por vezes, estamos tão distraídos que não os aproveitamos. Assim, as pessoas mais criativas serão as que conseguem aproveitar mais momentos de inspiração. É preciso estar alerta. Aproveitar todas as oportunidades. Se não aproveitarmos aquele breve momento, o próximo não será igual.

No decorrer de um breve momento de inspiração o autor é apenas um instrumento, não será necessário esforçar-se porque as coisas vão surgir naturalmente. E essas coisas vêem do nosso interior. O que despoleta uma inspiração pode ser um objecto, um cheiro, um momento, um sentimento, um pensamento... mas o resultado é sempre pessoal... visceral... do nosso interior mais profundo...

Mas afinal, o que causa a inspiração, ela é feita de quê? O que é? Dizem que a inspiração é magia. Uma forma de nos expressarmos, mostrar quem somos, de nos afirmarmos... uma forma de mostrarmos aos outros os nosso interiores mais reconditos, aqueles que nem conhecemos, por mais bonitos ou hediondos que eles sejam...

Mas será que a inspiração existe? Ou será que é o nosso cérebro que se liga em modo criativo, baseado em todas as nossas experiências, e nos impele a escrever, pintar, tocar, cantar, fotografar... a fazer uma qualquer forma de expressão, de comunicação... a que alguns chamam arte.

Eu não sou uma pessoa criativa, não tenho grande imaginação, ou pelo menos quase sempre o pensei e o disse. Mas quando estou "inspirada" não é preciso fazer grande coisa, quando escrevo, as palavras vão saindo. Não quero com isto dizer que os meus textos sejam bons, mas conseguir escrever uma história como a da Kali mostrou-me que se calhar até terei alguma imaginação... só tenho é de a encontrar perdida algures nos confins do meu cérebro.

Consigo nitidamente distinguir alturas em que não consigo parar de escrever, às vezes até sobre coisas em que nunca pensei. E noutras alturas, quero escrever mas as palavras não saem, até tenho as ideias mas torna-se dificil transporta-las para a forma escrita. E depois, e depois há as alturas em que nem sequer apetece escrever, nem sequer há ideias... Todos temos estes três estados... Inspirado... Voluntarioso...Desinspirado... tudo depende de quanto tempo passamos em cada um... e isso é controlável?

As pessoas costumam conseguir definir o estado de espirito que as torna mais criativas, estar triste, estar alegre, estar a sofrer, estar apaixonado... Por exemplo quando estou a sofrer os meus textos são muito mais intensos, consigo descrever muito melhor as emoções e os sentimentos...

É possivel dar uma ajuda à inspiração, há pessoas que criam métodos através dos quais conseguem captar melhor esses breves momentos. Só precisamos de encontrar o nosso próprio método. Para mim escrever requer muita concentração, alguma música e de preferencia escuridão...

Mas eu não sou só aquilo que escrevo, sou muito mais que isso e faço muito mais também ☺


Se pudesse escolher um breve momento de inspiração que me definisse enquanto pessoa, sem duvida escolheria este. Um momento único, inesperado e inesquecível...

A verdade da mentira

Esta indiferença que me mata.
Esta ânsia que me maltrata.
Esta dor que me perfura.
Esta verdade que me ataca...

Mas será verdade?

Esta verdade que me trucida.
Esta verdade que me bate.
Esta verdade que me espanca.
Esta mentira que me alcança...

Mas será mentira?

Esta mentira que me fere.
Esta mentira que me destrói.
Esta mentira que não se apaga.
Esta imaginação que me afecta...

Mas será imaginação?

Esta imaginação que não tenho.